Na quinta-feira (3), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, anunciou uma investigação contra o colega André Mendonça, acusado de abuso de autoridade. Essa decisão gerou desconforto entre os ministros da Corte, especialmente aqueles próximos a Mendonça. Um grupo de ministros vê a ação de Moraes como uma tentativa de envolver o tribunal em uma disputa interna, o que poderia aumentar a crise já existente. Eles afirmam que as condutas mencionadas por Moraes não são comparáveis às de outros ministros, como o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Além disso, Moraes utilizou o inquérito das fake news para responder a Mendonça, uma escolha que gerou controvérsia. Há um debate, que já dura desde a presidência de Luis Roberto Barroso, sobre a necessidade de encerrar esse inquérito. Essa ala de ministros argumenta que Moraes deveria ter se limitado a enviar um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, em vez de ampliar a situação envolvendo outros membros da Corte. Fachin já havia informado os colegas sobre a decisão de buscar explicações de todos os envolvidos, incluindo Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
As alegações de Moraes incluem relatórios da PF que mencionam direcionamento na produção de provas e tentativas de imputar crimes a outros ministros, incluindo ele mesmo. Ele também levantou questões sobre a atuação de Mendonça, sugerindo que ele teria conduzido investigações de forma irregular, o que poderia resultar em pedidos de impeachment. No entanto, aliados de Mendonça afirmam que a possibilidade de um processo contra Moraes avançar no Senado é praticamente nula. Para acompanhar o desdobramento dessa situação, é possível acessar o site do STF e acompanhar as sessões e documentos oficiais.