Na semana passada, o Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu abrir uma investigação para averiguar possíveis irregularidades no Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). O foco são denúncias sobre pagamentos indevidos, como férias em dobro e gratificações ilegais, que podem ter desviado mais de R$ 1 milhão dos cofres públicos. No dia 13 de agosto, uma força-tarefa do CFM vai até a sede do Cremesp para dar início a uma varredura nos documentos e nas contas do conselho.
A auditoria do CFM revelou que 27 servidores receberam horas extras e gratificações de forma irregular. Desses, 11 já assinaram um Termo de Confissão de Dívida e devolveram os valores recebidos indevidamente. O superintendente jurídico do Cremesp, Carlos Magno dos Reis Michaelis Júnior, aparece como o principal beneficiário, acumulando mais de R$ 500 mil em repasses. Além disso, a investigação aponta que cerca de R$ 90 mil de recursos públicos foram usados para cobrir uma indenização em uma disputa pessoal que envolvia Michaelis. O CFM também está analisando se ele, mesmo atuando no Cremesp, atuou como advogado particular do presidente do conselho, Ângelo Vattimo, o que poderia indicar improbidade.
Os médicos do Cremesp que denunciaram as irregularidades afirmam que a gestão atual se elegeu com promessas de moralidade. Um dos denunciantes será ouvido no dia 13 de agosto. Caso as irregularidades sejam confirmadas, o Cremesp pode enfrentar uma intervenção, assim como aconteceu com o Cremerj no ano passado, quando fraudes foram descobertas. O Cremesp, por sua vez, negou as acusações, afirmando que os problemas referem-se à gestão anterior e que já foram analisados pelo Tribunal de Contas da União e pelo Judiciário, sem que houvesse condenações. Para acompanhar o andamento da investigação, a população pode acessar o site do CFM e acompanhar as atualizações dos processos.