Na última semana, a cientista política Esther Solano participou do videocast “Desenquadrando”, onde discutiu a ascensão da direita no Brasil, especialmente em relação ao bolsonarismo. A conversa foi conduzida pelo economista Marcos Lisboa e está disponível no canal da TV Folha no YouTube. Segundo Solano, o crescimento desse movimento não pode ser atribuído apenas ao antipetismo ou à frustração com a política tradicional, mas está ligado a mudanças mais profundas nas percepções de grupos que historicamente se alinhavam à esquerda, como jovens e mulheres.
Solano explica que a ascensão da direita se deu em duas camadas. A primeira envolve fatores como o antipetismo e a Operação Lava Jato, enquanto a segunda, que ela considera mais significativa, diz respeito a transformações nas visões de grupos sociais que costumavam apoiar pautas progressistas. Ela menciona a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como um exemplo de como a direita tem disputado símbolos feministas, mesclando a imagem de mulher atuante com valores familiares e religiosos. Já entre os jovens, a cientista destaca o impacto das redes sociais na política, apontando o endividamento como um fator importante de insatisfação.
Sobre as próximas eleições, Solano fala sobre a pesquisa de comportamento dos eleitores, especialmente aqueles que ainda oscilam entre a direita e a esquerda. Ela indica que, antes de recentes polêmicas envolvendo Flávio Bolsonaro, alguns eleitores o viam como uma versão mais moderada do bolsonarismo. Por fim, ela observa que, enquanto alguns segmentos evangélicos se identificam com o bolsonarismo, há também sinais de cansaço com a política excessiva nas igrejas. Para acompanhar mais sobre esses temas, o público pode acessar o canal da TV Folha e outras plataformas que discutem a política brasileira.