Na manhã desta sexta-feira (22), a Corte Suprema de Cassação da Itália analisou o recurso da defesa da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) sobre sua extradição para o Brasil. A decisão deve ser comunicada aos advogados em breve. Em março, a Corte de Apelação de Roma já havia autorizado o envio de Zambelli ao Brasil, onde ela deve cumprir pena. A ex-deputada está presa há quase dez meses e não participou da audiência, que durou cerca de uma hora.
O advogado de Zambelli, Pieremilio Sammarco, apresentou argumentos contra a extradição, citando supostos “vícios processuais” no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e as condições do presídio brasileiro, onde ela seria levada, além de mencionar a saúde da ex-deputada. Sammarco afirmou que a decisão da Corte de Apelação não abordou adequadamente as condições do presídio Colmeia, em Brasília, onde Zambelli deve cumprir sua pena. No entanto, os juízes da Corte de Apelação rejeitaram esse argumento, afirmando que as informações apresentadas pela defesa não eram suficientes para impedir a extradição.
A defesa de Zambelli também solicitou que ela deixasse o complexo penitenciário de Rebibbia, em Roma, e essa solicitação será analisada pela Justiça na próxima terça-feira (26). O governo brasileiro, representado pelo advogado Enrico Giarda, pediu a rejeição do recurso da defesa, destacando que o processo brasileiro não pode ser refeito na Itália e que a extradição deve seguir critérios técnicos.
Caso a extradição seja confirmada, o processo deve ser enviado ao governo italiano, que terá até 45 dias para se manifestar. Se a decisão for favorável, Zambelli pode ser enviada ao Brasil em cerca de 20 dias. Se a defesa não aceitar a decisão, poderá recorrer ao Tribunal Administrativo Regional, pedindo uma suspensão temporária da extradição. Zambelli, que foi a segunda deputada federal mais votada em São Paulo nas eleições de 2022, renunciou ao mandato em dezembro após ter sido poupada de uma cassação que depois foi revertida pelo STF.