O alpinista britânico Kenton Cool fez história nesta sexta-feira, dia 22, ao atingir o cume do Everest pela 20ª vez, ampliando seu próprio recorde de ascensões à montanha mais alta do mundo por uma pessoa não nepalesa. Mais de 600 montanhistas conseguiram chegar ao topo desde o início da temporada de escaladas na primavera deste ano, aproveitando uma janela de bom tempo e ventos mais amenos. Segundo Khim Lal Gautam, funcionário do governo no acampamento-base, Cool chegou ao cume na madrugada, consolidando ainda mais sua trajetória impressionante.
Cool, que é guia de montanha e tem 52 anos, conquistou a altura de 8.849 metros pela primeira vez em 2004. Desde então, ele tem participado de expedições quase todos os anos, apesar de ter enfrentado desafios sérios, como uma fratura nos calcanhares em 1996, quando os médicos acreditavam que ele nunca mais conseguiria andar sem ajuda. Em 2022, ele se tornou o não nepalês com o maior número de ascensões ao Everest, superando o americano Dave Hahn. No entanto, Cool não se considera um “super-herói”, ressaltando que muitos sherpas do Nepal têm ainda mais conquistas em suas histórias. O recorde absoluto é de 32 ascensões, alcançadas recentemente por Kami Rita Sherpa, conhecido como o “Homem do Everest”.
Nesta temporada, o Nepal emitiu um recorde de 492 permissões para montanhistas, resultando em uma cidade de barracas montada aos pés do Everest para acomodar as equipes. Isso gerou preocupações sobre a superlotação no cume, especialmente após um dia, na última quarta-feira, em que cerca de 275 pessoas alcançaram o topo, o que representa o dia mais movimentado já registrado. Apesar do sucesso das expedições, a temporada também trouxe lamentos, com a morte de três alpinistas nepaleses. O Nepal, que abriga oito dos dez picos mais altos do mundo, continua sendo um destino crucial para a escalada, atraindo centenas de montanhistas todo ano, uma atividade que traz grande retorno econômico para o país.