Na terça-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote de crédito de R$ 30 bilhões para a aquisição de veículos leves. A medida, que faz parte das ações do governo no período pré-eleitoral, gerou uma reação da Confederação Nacional do Transporte (CNT). A entidade expressou preocupação com o possível impacto desse aumento na frota sobre o tráfego nas grandes cidades, sinalizando que isso pode intensificar os congestionamentos e aumentar o tempo de deslocamento.
De acordo com a CNT, o transporte coletivo tem perdido espaço nos últimos anos. Em 2017, ele representava 49,8% das viagens urbanas, enquanto em 2024 esse número caiu para 31,7%. Em contrapartida, os deslocamentos individuais passaram a compor 68,3% das viagens nas cidades. A confederação destaca que o montante destinado à compra de veículos leves é equivalente aos investimentos para renovar a frota de ônibus e transporte de cargas, que beneficiam a mobilidade urbana de forma mais ampla.
A CNT também enfatiza que, segundo o Inventário CNT de Emissões do Setor de Transporte, veículos leves são responsáveis por 48,25% das emissões do setor. Para a entidade, a prioridade deveria ser a modernização do transporte coletivo, com investimentos que realmente atendam aos desafios da mobilidade urbana e às demandas por sustentabilidade.
Para acompanhar as discussões e decisões sobre esse tema, é possível acessar as sessões do governo por meio dos canais oficiais e verificar documentos pertinentes. A previsão é que a tramitação do pacote siga em análise, com a possibilidade de audiências públicas para debater o assunto e a fiscalização de órgãos competentes.