Márcia Honório da Silva, uma das pioneiras do futebol feminino no Brasil, continua impactando a modalidade mais de duas décadas após sua aposentadoria. Com uma carreira que se estendeu por cerca de 20 anos nos gramados, Marcinha agora se dedica ao futsal nas categorias de base do Juventus, em São Paulo. Recentemente, ela coordena equipes de meninos de sete a dez anos na Sociedade Esportiva e Recreativa de Caieiras, onde também já treinou Matheus Bidu, atual lateral-esquerdo do Corinthians. A ex-jogadora ressalta que, diferente de sua época, hoje há uma menina jogando no time sub-7, algo impensável no passado.
Marcinha fez parte da primeira seleção brasileira feminina, que conquistou o terceiro lugar no Torneio Experimental da FIFA, em 1988, na China. Esse torneio foi um marco, servindo de base para a criação da Copa do Mundo Feminina. Em suas palavras, “o que faz um campeão é o mesmo de antigamente: coração, respeito pela história e disciplina”. Ela acredita que a estrutura atual é muito melhor, mas a essência continua a mesma.
A luta das pioneiras do futebol feminino está ganhando reconhecimento. Um projeto de lei prevê o pagamento de R$ 500 mil às atletas das gerações de 1988 e 1991, em uma tentativa de reparar a falta de apoio e visibilidade que enfrentaram. “É um resgate de dignidade que foi negada por décadas”, afirma Márcia. Outra ex-jogadora, Rosilane Camargo Motta, conhecida como Fanta, também está ativa, dando aulas de futebol para meninas no Rio de Janeiro e compartilhando suas experiências.
O Brasil se prepara para sediar a Copa do Mundo Feminina em 2027, o que gera grandes expectativas entre as pioneiras. Elas esperam que o evento ajude a melhorar o profissionalismo e a infraestrutura do futebol feminino no país. Com a crescente visibilidade e oportunidades, o futuro parece promissor para as novas gerações de jogadoras.