Em um evento realizado em abril de 2017 na sede do clube Hebraica, no Rio de Janeiro, o então deputado Jair Bolsonaro fez comentários que geraram controvérsia, incluindo referências a uma experiência em um quilombo. Esse discurso chamou a atenção do historiador e sociólogo Michel Gherman, que, inspirado por esse momento, decidiu escrever o livro “Diálogos em Tempos Difíceis”. Gherman, professor da UFRJ, argumenta que Bolsonaro utiliza uma retórica que pode ser associada a ideias extremistas e que a religião está sendo instrumentalizada pela extrema direita.
No projeto do livro, Gherman convidou o teólogo e pastor evangélico Ronilso Pacheco para discutir as conexões entre religião e política. A conversa foi mediada pela jornalista Ana Luiza Albuquerque, que destaca o desconforto de ambos os participantes, que se veem pressionados por visões extremas. Gherman menciona um novo tipo de antissemitismo, que ele chama de “filossemita”, e critica a forma como a radicalização tem distorcido a percepção sobre o judaísmo.
Gherman e Pacheco divergem em algumas opiniões, especialmente sobre o futuro do bolsonarismo. Enquanto Pacheco acredita que as ações antidemocráticas estão enfraquecendo essa corrente, Gherman defende que o movimento ainda possui força significativa. No livro, Pacheco explora a manipulação da religiosidade e a ideia de política da opacidade, onde diferentes grupos são colocados sob suspeita. Gherman, por sua vez, define a nova extrema direita como um fenômeno global que opera com uma lógica dualista e conspiracionista, desafiando a esquerda a entender as narrativas que atraem as pessoas.
Para quem se interessa pelo tema, é possível acompanhar debates e publicações nas redes sociais e em canais de comunicação que tratam das relações entre política e religião. Fique atento a futuras discussões e eventos que podem surgir sobre esse assunto.