Uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Ciência Política revelou que partidos políticos em Goiás podem estar explorando brechas na legislação para adiar e reduzir os pagamentos a candidatos negros e mulheres. O tema foi discutido na última quinta-feira (23) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que afirmou que pode haver cassação por desvio de recursos de cota racial, dependendo do valor transferido. O estudo, realizado por um grupo de quatro pesquisadores, analisou dados de financiamento eleitoral das eleições de 2018 e 2022, destacando que a maioria dos recursos para candidatos negros veio em forma de “recursos estimáveis”, como santinhos, o que limita a autonomia desses candidatos na gestão de suas campanhas.
A pesquisa mostrou que, em 2018, homens brancos que concorriam a cargos de deputado federal receberam 4,4 vezes mais recursos na primeira semana de campanha do que mulheres negras, refletindo uma disparidade no acesso a verba inicial. Em 2022, essa diferença se manteve, com homens brancos recebendo 2,5 vezes mais na primeira semana. Além disso, os dados indicam que candidatos negros doaram 34,6% de seus recursos para candidatos brancos, o que sugere uma estratégia dos partidos para redirecionar dinheiro.
Para quem deseja acompanhar essa situação, é possível acessar documentos e informações sobre as sessões do TSE pela internet e ficar de olho nos canais de denúncia disponíveis. A pesquisa apontou a necessidade de melhorar os mecanismos que regem a distribuição de recursos, já que, atualmente, existe uma cota mínima de 30% do fundo público de campanha destinada a mulheres e negros, mas muitos partidos ainda não estão seguindo essas regras corretamente. Os próximos passos incluem a fiscalização mais rigorosa dessas práticas e a possibilidade de novas discussões sobre a adequação das normas eleitorais.