Na última sexta-feira (24), foi lançado o “Guia da Gestão Pública Antirracista” no Insper, uma obra que busca orientar gestores e pesquisadores sobre como enfrentar desigualdades raciais nas políticas públicas. O livro foi criado por um grupo de especialistas, incluindo o economista Michael França, que destacou que o racismo institucional se manifesta não apenas em discriminações diretas, mas também em decisões técnicas e critérios que desconsideram desigualdades já existentes. Ao longo da apresentação, foram discutidos exemplos práticos de como essas desigualdades se refletem em áreas como educação e saúde.
França mencionou um estudo que mostra como a exigência de infraestrutura mínima para escolas de tempo integral beneficiou instituições em áreas centrais, que geralmente têm um perfil demográfico mais branco. Isso gerou um ciclo de investimento que favoreceu ainda mais essas escolas, enquanto as da periferia, com infraestrutura pior, ficaram para trás. Na saúde, Clara Marinho, uma das autoras, apontou que mesmo políticas universais, como o pré-natal, não garantem igualdade no atendimento. Mulheres negras, por exemplo, enfrentam menos anestesia e mais intervenções durante o parto, revelando uma disparidade que começa antes do nascimento.
O guia oferece um panorama das desigualdades históricas e propõe ações práticas para que gestores públicos possam agir de maneira antirracista em todas as áreas, não apenas nas que têm o tema em destaque. Os autores defendem que a responsabilidade pelas mudanças é coletiva e que é essencial integrar dados raciais nas tomadas de decisões. Para quem se interessa em acompanhar o tema, é possível acessar informações sobre políticas públicas e dados por meio de canais oficiais e do site do Insper. O próximo passo é a disseminação desse conhecimento e a aplicação das estratégias sugeridas para promover um Estado mais justo.