Em fevereiro, surgiu uma polêmica em Goiás relacionada às chamadas “famílias enlatadas”, que gerou discussões sobre como o conceito de família está sendo utilizado na política. Um estudo feito pelos economistas Marcela Mello e João Garcia revelou que a moralização da família pode impactar negativamente a saúde e a educação de adolescentes. Os dados mostram que meninas que passaram os últimos anos do ensino fundamental em cidades menores, administradas por prefeitos com vínculos a grupos (neo)pentecostais, enfrentaram um aumento significativo na taxa de gravidez na adolescência, que subiu de 7,5 para 10,5 nascimentos por mil meninas, um crescimento de cerca de 40%.
A pesquisa analisou eleições municipais de 2008, 2012 e 2016, comparando cidades com cerca de 20 mil habitantes onde candidatos de partidos como o Republicanos e o antigo Partido Social Cristão venceram ou perderam por margens apertadas. O estudo não generaliza a todos os evangélicos, mas destaca a conexão entre a orientação religiosa e as políticas educacionais. Além do aumento nas gestações, a cobertura de vacinação contra HPV caiu em 19 pontos percentuais entre meninas de 9 a 11 anos. A evasão escolar feminina também cresceu, passando de cerca de 4% para quase 7%.
Para quem deseja acompanhar mais sobre essa questão, as sessões da câmara municipal podem ser vistas através do site oficial da prefeitura, onde também é possível acessar documentos e fazer denúncias. Fique atento às próximas audiências públicas e discussões sobre políticas educativas e de saúde, pois essas decisões podem influenciar diretamente a qualidade de vida dos jovens na região.