Durante uma sessão da 3ª Turma de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Pará, no dia 9 de abril, a desembargadora Eva do Amaral Coelho expressou sua insatisfação com os novos limites estabelecidos em março pelo STF para o pagamento de benefícios a magistrados. Segundo ela, esses limites podem fazer com que os juízes sejam vistos como “vilões” da sociedade, e ela lamentou a falta de reconhecimento pelo trabalho árduo que realizam. A desembargadora, que tem 73 anos e ingressou na magistratura na década de 1980, mencionou que muitos colegas enfrentam dificuldades financeiras e são injustamente rotulados como pessoas que não trabalham.
Na prática, Eva destacou que os juízes desempenham funções que exigem longas horas de trabalho, muitas vezes sacrificando fins de semana e feriados. Ela defendeu que a população deveria ter uma visão mais próxima da realidade vivida por magistrados, que, segundo ela, estão sob pressão constante. Durante a sessão, a desembargadora pediu desculpas aos colegas pelo tom emocional de seu desabafo, mas enfatizou que a situação é preocupante e merece mais atenção.
A reportagem tentou contato com o Tribunal de Justiça do Pará e a desembargadora, mas não obteve sucesso. De acordo com a folha de pagamento divulgada pelo tribunal, Eva recebeu R$ 91,2 mil líquidos em março. Ela também criticou a percepção negativa sobre a magistratura, afirmando que essa visão pode ter consequências diretas na qualidade do acesso à justiça pela população.
Os próximos passos incluem a continuidade das discussões sobre os limites de pagamento e possíveis audiências públicas que abordem a situação dos magistrados. Para acompanhar as sessões do Tribunal de Justiça e obter informações sobre denúncias ou dúvidas, os interessados podem acessar o site oficial da corte.