O delegado Felipe Curi, que foi secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro até março de 2025, está em evidência na política fluminense desde que anunciou sua candidatura a deputado federal pelo PP. Durante sua gestão, Curi se destacou pela alta quantidade de promoções por bravura, totalizando 1.095 em um ano e meio, uma média de quase duas por dia. Esse número supera em quase 40% o total de promoções concedidas pelos seis secretários que o antecederam desde 2019. As operações realizadas sob sua liderança, como as nos complexos da Penha e do Alemão, foram marcadas por um grande número de mortes, o que levanta questões sobre o uso dessas promoções como instrumentos de poder.
Curi defende que as promoções por bravura seguem critérios legais e são analisadas por um conselho específico, embora ele tenha influência sobre a composição desse órgão. A legislação que rege essas promoções foi alterada em 2022, facilitando a concessão e trazendo críticas sobre a falta de critérios objetivos. O deputado estadual Flavio Serafini (PSOL) aponta que essas mudanças podem beneficiar a cúpula da polícia, gerando divisões internas e dificultando a ascensão de policiais por antiguidade e mérito. Curi, por sua vez, afirma que todas as suas promoções foram justas e que não houve irregularidades.
A situação está sendo acompanhada por sindicatos e pela OAB-RJ, que alertam para a banalização das promoções, que prejudica a carreira de muitos policiais. O relatório da comissão de Serafini recomenda auditorias e ações para investigar possíveis irregularidades nas promoções desde 2019. Para quem se interessa em acompanhar essas questões, as sessões da Alerj são abertas ao público, e documentos podem ser acessados online. A tramitação de propostas relacionadas à segurança pública continua, com debate e fiscalização previstos para os próximos meses.