Na manhã de segunda-feira (10), o juiz Márcio José de Moraes participou de um debate na Faculdade de Direito da USP, onde ressaltou o papel das mulheres na luta contra a ditadura militar e na busca por justiça. O evento marcou os 50 anos da morte de Vladimir Herzog, um jornalista assassinado em 1975, e serviu como um lembrete da importância da democracia. Moraes aproveitou a ocasião para criticar a possível indicação de mais um homem para o Supremo Tribunal Federal (STF), em meio à nomeação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga deixada por Luis Roberto Barroso. Ele questionou como uma corte suprema pode ser considerada representativa sem a presença feminina.
Moraes destacou que a condenação da ditadura, ocorrida durante o regime militar, só foi possível graças à coragem de mulheres como Clarice Herzog, viúva de Vlado, que processou o Estado. Ele também mencionou Eunice Paiva, que buscou respostas sobre o desaparecimento de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva. Durante o evento, Ivo Herzog, filho de Vladimir, homenageou sua mãe e refletiu sobre a coragem dela em enfrentar um Estado opressor.
O juiz compartilhou sua experiência ao condenar a União pelo crime de tortura e morte de Herzog em 1978, mesmo sob o risco de represálias. Apesar da sentença, Samuel MacDowell Figueiredo, um dos advogados de Clarice, lamentou que os responsáveis nunca foram identificados, uma situação que se agravou com a interpretação da Lei da Anistia pelo STF.
Para quem deseja acompanhar os desdobramentos sobre direitos humanos e a história da ditadura, o Instituto Vladimir Herzog e a Comissão Arns promovem eventos e debates. Fique atento às redes sociais e sites dessas instituições para mais informações e documentos relacionados. Em breve, novas audiências públicas e discussões sobre a revisão da Lei da Anistia devem acontecer, refletindo a busca contínua por justiça e memória.