Mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o ministro do STF, Alexandre de Moraes, reveladas nesta terça-feira (1º), levantam a possibilidade de uma investigação por suspeitas de corrupção passiva e advocacia administrativa. As conversas, obtidas pela Polícia Federal, mostram que Vorcaro questionou Moraes sobre a possibilidade de deixar o país, dois dias antes de sua prisão, e pediu encontros para discutir negócios que estão sob apuração. Além disso, a PF analisou que Moraes assinou um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o banco Master.
Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que essa situação pode justificar a abertura de uma investigação. A advogada Marina Coelho, doutora em processo penal, explica que a apuração pode incluir crimes como advocacia administrativa, que ocorre quando um funcionário público patrocina interesses privados na administração pública, e corrupção passiva, que se refere ao recebimento de vantagens indevidas por parte de servidores. A situação se complica se, por exemplo, Moraes tiver estabelecido um contrato de fachada para facilitar a movimentação de dinheiro ilegal.
Outro ponto levantado é a possibilidade de obstrução de justiça, já que Vorcaro mencionou tentativas de intimidação a autoridades que investigam o caso. O professor Gustavo Badaró, da USP, acredita que, embora as mensagens não provem diretamente um crime, elas justificam uma investigação mais aprofundada. Ele destaca que no passado, várias figuras com foro privilegiado já foram investigadas com base em situações menos evidentes do que as reveladas agora. A continuidade das investigações e a definição dos próximos passos ainda dependem da análise detalhada das mensagens e das ações de Moraes. Para acompanhar esses desdobramentos, é possível acessar o site do STF e acompanhar as redes sociais do tribunal.