A representatividade negra no Congresso Nacional tem mostrado um avanço nos últimos anos, mas ainda está longe do ideal. Um estudo do Núcleo de Estudos Raciais do Insper revela que, embora a proporção de candidatos negros para as vagas de deputado e senador tenha aumentado, menos de 30% dos parlamentares nas duas Casas são pretos ou pardos. Comparando com 2014, no Senado, a presença de negros eleitos subiu de 18,5% para 22,2%, enquanto na Câmara dos Deputados passou de 19,9% para 26,5%. No entanto, esse número ainda é considerado uma minoria.
Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, em 2026, foram registradas 10.226 candidaturas de pessoas negras, sendo 2.803 pretas e 7.415 pardas. Essa soma representa 49,8% do total de candidaturas, ligeiramente abaixo dos 50,3% observados nas últimas eleições. É importante ressaltar que o registro não garante a efetivação das candidaturas, já que muitos não cumprem os pré-requisitos necessários.
Além disso, o Índice de Equilíbrio Racial (IER), que compara a proporção de candidatos e eleitos negros à população negra da região, mostra que a representação ainda não é adequada. No Senado, por exemplo, o IER ficou em 0,75 nas últimas eleições, indicando uma sub-representação. A pesquisadora Camila Alvarenga aponta que, apesar do aumento na proporção de eleitos, o número absoluto de parlamentares negros ainda é baixo.
Para quem quiser acompanhar mais sobre essa questão, o Observatório de Equidade do Legislativo, disponível no site do Senado, traz informações detalhadas sobre o perfil dos parlamentares, incluindo dados de gênero e raça. É fundamental que haja um olhar atento para as disparidades no financiamento de campanhas e na implementação de cotas partidárias, contribuindo assim para uma representação mais equilibrada.