Uma comissão da Câmara dos Deputados decidiu vetar o uso da expressão “ditadura militar” em um livro que estava sendo preparado sobre a Independência do Brasil. Além disso, a comissão sugeriu a remoção de várias frases e parágrafos inteiros da obra, que seria lançada pela Edições Câmara, editora ligada à Casa Legislativa. As mudanças propostas foram relatadas em uma carta por um grupo de historiadores e incluíram trechos sobre direitos indígenas e comparações entre Brasil e Haiti, além de referências ao samba-enredo da Mangueira de 2019.
O livro, organizado por professores de universidades como Unifesp e UFOP, reúne textos publicados entre 2022 e 2023 e estava em fase avançada, com cerca de 50 autores já com contratos de cessão de direitos autorais. O lançamento estava previsto para julho de 2025, durante o Encontro Nacional de História. No entanto, após a análise da comissão, a edição foi devolvida com sugestões de alterações. Os autores se posicionaram, aceitando algumas mudanças, mas rejeitando outras que consideravam que alterariam o sentido do texto. A negociação se arrastou por cerca de um ano, mas não houve consenso.
Os organizadores do livro, por sua vez, criticaram as intervenções, afirmando que elas configuram censura e uma tentativa de alterar a interpretação histórica. Eles defendem que a Câmara publique o material sem os cortes sugeridos. Até agora, não houve uma resposta formal da Câmara sobre a publicação da obra, mas a instituição indicou que, após o bicentenário da Independência, não há previsão para que o livro seja lançado. Para quem se interessar em acompanhar as discussões e trâmites sobre o tema, é possível acessar documentos e informações diretamente no site da Câmara dos Deputados.