Técnicos da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e representantes do setor de gás levantaram preocupações sobre uma possível interferência do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, nas negociações entre a PPSA (Pré-Sal Petróleo S/A) e a Petrobras. Essa análise já estava sendo discutida nos bastidores desde 2022, mas ganhou mais destaque após um e-mail enviado pelo ministério à ANP, poucas horas antes de uma decisão da diretoria sobre os termos da negociação. O secretário de Petróleo e Gás, Renato Dutra, enviou a mensagem mesmo após as duas estatais terem enviado um ofício à ANP, indicando que estavam avançando nas discussões. Na reunião do dia 10 de julho, a maioria dos diretores defendeu uma intervenção da ANP.
O relator da questão, Pietro Mendes, indicado por Silveira, utilizou o e-mail do ministério como argumento para que a ANP atuasse como mediadora. O ministério alertou que a proposta da Petrobras era inferior à anterior, feita em 2025, o que poderia prejudicar a União. No entanto, especialistas afirmam que as estatais estavam se aproximando de um consenso, considerando a postura do ministério como uma violação da governança das empresas. Interlocutores destacaram que a última proposta da Petrobras aumentou o preço do gás em 44%, e a pressão do ministério poderia tentar manipular essa situação.
O diretor Daniel Maia Vieira expressou sua preocupação sobre os impactos de uma interferência nessa negociação, enquanto o diretor-geral da ANP, Artur Watt, foi contra a intervenção, argumentando que deveria ser uma ação excepcional. Além disso, há alegações de que Silveira também estaria tentando influenciar a Vale, com um e-mail enviado aos conselheiros da empresa pedindo uma reunião. O ministério, ao ser questionado, afirmou que apenas cumpre sua função de comunicar informações relevantes ao setor energético, sem interferir na autonomia da ANP. Para acompanhar mais sobre a situação, é possível acessar os canais oficiais da ANP e do ministério.