Uma pesquisa recente do Datafolha mostrou que, pela primeira vez desde 2014, mais brasileiros se identificam com a direita do que com a esquerda. No levantamento, realizado nos dias 17 e 18 de junho, 44% dos entrevistados se posicionaram à direita ou centro-direita, enquanto 39% se identificaram com a esquerda ou centro-esquerda. Outros 17% se consideraram neutros. Essa mudança é significativa se comparada a 2022, quando 49% se identificavam com a esquerda e 34% com a direita, durante o governo de Jair Bolsonaro.
Para chegar a esses números, o Datafolha não fez uma pergunta direta sobre a posição ideológica, mas analisou respostas a questões sobre valores sociais, políticos e econômicos. A pesquisa incluiu temas como armas, pobreza e religião, além de questões econômicas, como impostos e leis trabalhistas. A mudança mais notável foi na percepção sobre a pobreza: a proporção de pessoas que a atribuem à “preguiça” aumentou de 22% para 40%. Por outro lado, a visão de que a pobreza vem da falta de oportunidades caiu de 76% para 58%, ainda sendo a mais comum.
No que diz respeito à economia, a maioria dos entrevistados ainda apoia bandeiras da esquerda, com 46% concordando com elas, em comparação a 28% da direita. Contudo, 65% acreditam que depender menos do governo poderia melhorar a vida, e 50% preferem pagar menos impostos e ter serviços particulares. A pesquisa foi realizada em 139 municípios e entrevistou 2.004 pessoas, com uma margem de erro de dois pontos percentuais. Os resultados estão disponíveis para consulta no TSE, sob o número BR-09956/2026.