Ronaldo Caiado, presidenciável pelo PSD e ex-governador de Goiás, conta com 51 policiais militares para sua segurança pessoal e de familiares em São Paulo. Esse número é superior ao de um pelotão, que normalmente tem cerca de 40 soldados, e ultrapassa em mais de seis vezes a quantidade de policiais permitida para ex-presidentes, que é de até oito. Caiado se mudou para São Paulo para intensificar sua campanha e, junto com ele, foram os policiais, cujo número foi ampliado após uma portaria assinada pelo secretário da Casa Militar de Goiás, Marco Aurélio Godinho, um dia após a renúncia de Caiado, em 1º de abril. Essa nova norma também garante segurança para os familiares do ex-governador e permite que ele escolha os policiais que o acompanharão, conforme a disponibilidade.
A portaria também estabelece que a Casa Militar é responsável pela logística das medidas de segurança, como transporte e hospedagem, enquanto o ex-governador ficou no cargo por sete anos e três meses. Normas anteriores não especificavam um limite claro para o número de policiais, embora um decreto de 2011 já tivesse alertado para a necessidade de moderação. De acordo com documentos obtidos pela Folha, o custo mensal com os salários desse efetivo chega a R$ 797,5 mil, sem incluir diárias e outras despesas. A Secretaria da Casa Militar (Secami) afirmou que não divulga detalhes sobre o efetivo por questões de segurança, mas destacou que o número de agentes é flexível e baseado em necessidades operacionais.
Caiado também receberá proteção adicional da Polícia Federal devido à sua candidatura à presidência. Ele ressaltou que a segurança é um direito previsto na Constituição do Estado desde 2010 e argumentou que sua equipe de segurança é composta por quatro policiais que se revezam, não os 51 inicialmente mencionados. Especialistas no assunto, como Bruno Morassutti, apontam que, embora algumas informações possam ser sigilosas, dados gerais sobre os gastos e operações deveriam ser divulgados. A situação em Goiás levanta questões sobre a transparência em outras unidades da federação, sendo que outros estados também foram questionados sobre a segurança disponibilizada a ex-governadores.