No último ano, o juiz Roberto Luiz Corcioli Filho, de 43 anos, fez uma transição importante ao mudar de uma vara especializada em casos de violência doméstica para uma vara cível. Ele decidiu incorporar a inteligência artificial (IA) ao seu trabalho, buscando maneiras de otimizar a gestão de um grande volume de processos. Em suas palavras, essa tecnologia pode ajudar a dar vazão a um número elevado de casos dentro dos prazos estabelecidos. Corcioli se preparou para essa nova fase conversando com colegas, assistindo a vídeos e aprofundando seus conhecimentos sobre IA, além de trabalhar junto com sua equipe para criar um fluxo de trabalho que integre essa tecnologia.
Enquanto Corcioli adota a IA em seu dia a dia, a juíza Fabiana Alves Rodrigues, de 51 anos, que atua na 1ª Vara Federal de Guarulhos, é mais cautelosa. Ela orienta sua equipe a evitar o uso de IA, pedindo que sejam informados caso a tecnologia seja utilizada para tarefas específicas, como resumos ou correções de textos. Fabiana argumenta que, ao fazer o trabalho manualmente, consegue identificar as deficiências de cada membro da equipe, o que pode ser mais difícil quando se utiliza a IA.
O uso de IA no Judiciário vem gerando debates sobre regulamentação e controle. O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) aprovou uma resolução em fevereiro de 2025 que estabelece regras para sua utilização, garantindo que sempre haja supervisão humana nas decisões. Contudo, casos recentes revelaram tentativas de manipulação da tecnologia, acendendo um alerta sobre a necessidade de uma supervisão mais rigorosa. Apesar do avanço da IA, muitos juízes ainda afirmam que é vital manter a leitura atenta dos processos, para assegurar que as decisões sejam justas e precisas.
Para acompanhar as discussões e decisões sobre o uso de IA no Judiciário, é possível acessar o site do CNJ e participar de audiências públicas. Além disso, os tribunais estão cada vez mais abertos a receber sugestões e denúncias sobre a utilização dessas tecnologias.