A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que já foi ministra da Agricultura, está à frente do Instituto Diálogos, uma iniciativa que conta com o apoio de oito empresas dos setores de agronegócio, financeiro, combustíveis e infraestrutura. Essas empresas não divulgaram os valores que estão investindo no instituto, que tem como objetivo influenciar a criação de políticas públicas voltadas para o livre mercado e o desenvolvimento socioeconômico. Tereza Cristina ocupa o cargo de presidente do conselho de administração, atividade que não é remunerada, e as novas adesões ao instituto precisam da aprovação de dois terços das empresas fundadoras.
Esse cenário traz algumas questões éticas, segundo especialistas, que apontam a necessidade de mais transparência para evitar conflitos de interesse. As empresas fundadoras, como Tereos, Cargill e Yara, estão diretamente ligadas ao setor agrícola, que é a principal área de atuação da senadora. Embora a legislação permita que parlamentares participem de conselhos, a situação é vista com cautela, principalmente por conta dos benefícios que essas empresas podem receber do governo. O valor mensal que as empresas pagam para o instituto não está claro, mas sabe-se que isso sustenta a contratação de um diretor com salário de R$ 50 mil e a realização de eventos.
Para quem quiser acompanhar o trabalho do Instituto Diálogos, é possível acessar informações no site da entidade. No entanto, até o momento, não há balanços financeiros disponíveis. A senadora afirmou que, após deixar o Senado, pretende dedicar-se integralmente ao instituto. Desde sua fundação em setembro de 2025, o instituto já realizou apenas um evento, um seminário fechado sobre geoeconomia. Tereza Cristina, que é cogitada para a vice de Flávio Bolsonaro, tem também planos para a presidência do Senado em 2027, dependendo do resultado das eleições.