Organizações do movimento negro estão se mobilizando para pedir que a próxima indicação do presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF) seja de uma pessoa negra, preferencialmente uma mulher. O objetivo é destacar a importância dessa escolha, uma vez que nunca houve uma mulher negra na corte em mais de 130 anos de história. A Educafro, uma ONG que atua na inclusão de pessoas negras e de baixa renda no ensino superior, está elaborando uma carta com recomendações para o presidente, que incluirá uma lista com 20 nomes, sendo dez deles de mulheres e homens negros com notório saber jurídico, como explicou Frei David, fundador da instituição.
Além da Educafro, o movimento Mulheres Negras Decidem busca agendar uma reunião com a Secretaria Geral da Presidência para discutir a questão. Criado em 2018, o grupo é ativo em 22 estados e visa aumentar a presença de mulheres negras na política. Eles são responsáveis pela campanha “Ministra Negra Já!”, que visa dar visibilidade a juristas negras. Após a rejeição do nome de Messias pelo Senado, a pressão por uma indicação de uma mulher negra ao STF aumentou. Tainah Pereira, coordenadora política do grupo, enfatizou que essa luta é histórica e essencial para a democracia.
O Odara – Instituto da Mulher Negra também está promovendo campanhas para essa indicação desde a aposentadoria da ex-ministra Rosa Weber em 2023. Joyce Souza, coordenadora do instituto, afirmou que a rejeição do nome de Messias reforça a necessidade de quebrar a exclusão histórica das mulheres negras em posições de poder. O desembargador William Douglas, conhecido por sua atuação em inclusão social, e Giovanni Harvey, do Fundo Baobá, que defende uma representação mais justa no STF, também estão se manifestando nas redes sociais sobre o tema.
Para acompanhar as discussões sobre essa e outras pautas, o público pode acessar canais oficiais de notícias, além de acompanhar as redes sociais dos movimentos envolvidos. As próximas etapas incluem a tramitação das indicações e a realização de audiências públicas para debater a diversidade no STF.