O ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), Jorge Messias, está considerando deixar o cargo após a rejeição de seu nome para o Supremo Tribunal Federal (STF). Na noite de quarta-feira (29), logo após a derrota no Senado, Messias manifestou sua intenção de sair, em mensagens a aliados. Ele conversou com o presidente Lula, que pediu para que ele não tomasse decisões precipitadas. Nos bastidores, há quem torça para que Messias assuma o Ministério da Justiça, como forma de valorizar seu trabalho na AGU e responder aos senadores que votaram contra sua indicação.
Messias expressou que se sentiu frustrado com a rejeição, mencionando que, apesar de não ter solicitado sua indicação, apresentou seu nome de maneira respeitosa. Ele também comentou sobre a campanha negativa que enfrentou nos últimos cinco meses e a falta de apoio de alguns membros do PT, que preferiam outros candidatos para o STF. Interlocutores sugeriram que ele pensasse com calma sobre seu futuro, mas a falta de diálogo com alguns que articularam sua derrota pode ser um entrave para sua permanência na AGU.
A situação no Senado foi tensa, já que Messias precisava de 41 votos favoráveis, mas obteve apenas 34. Essa foi a primeira vez em mais de um século que um indicado do presidente foi barrado pelo Legislativo. Após a votação, o governo começou a investigar os votos contrários e, embora aliados esperassem cerca de 45 votos a favor, a situação se mostrou bem diferente. No dia seguinte, o MDB se manifestou, afirmando apoiar Messias, exceto por uma senadora que se opôs. Agora, Lula tem a opção de indicar um novo nome, que também precisará passar pela aprovação do Senado, mas Alcolumbre avisou que não colocará outra indicação de Lula em votação antes das eleições presidenciais.