Na tarde de terça-feira (14), uma movimentação no Senado pode ter mudado o rumo da CPI do Crime Organizado, que estava prestes a votar um relatório propondo o indiciamento de três ministros do STF: Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. A articulação envolveu o governo Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e resultou na troca de três senadores da CPI, substituindo nomes da oposição por aliados do governo. Com isso, a expectativa é que o relatório, que poderia ser aprovado por 6 votos a 5, seja rejeitado.
Os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) foram removidos e substituídos por Teresa Leitão e Beto Faro, ambos do PT. Além disso, Soraya Thronicke (PSB-MS) passou de suplente a titular, enquanto Jorge Kajuru (PSB-GO) foi rebaixado à suplência. As trocas foram feitas pelo bloco formado por MDB, PSDB, Podemos e União Brasil, que, mesmo com a inclusão de senadores do PT, é uma prática comum na divisão das vagas de CPIs. A mudança foi solicitada por Eduardo Braga (AM), líder do MDB e próximo de Alcolumbre, que atuou diretamente para barrar o relatório.
A CPI, que inicialmente tinha como foco investigar a atuação do crime organizado, acaba se tornando um palco de disputas políticas. A oposição critica o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) por não incluir no relatório indiciamentos de figuras como o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e outros políticos que têm ligações com ele. Com a maioria de governistas na CPI, os próximos passos envolvem a definição da continuidade das investigações e se o relatório será realmente aprovado ou não. Para quem quiser acompanhar as sessões ou obter mais informações, é possível acessar os documentos e os canais oficiais do Senado.