Uma pesquisa realizada entre 27 de abril e 3 de maio de 2026, pelo “Monitor do Debate Público” (Iesp-Uerj/INCT-ReDem), buscou entender como diferentes grupos da população percebem a democracia. A pesquisa envolveu seis grupos focais no WhatsApp, abrangendo um espectro político amplo, desde apoiadores de Jair Bolsonaro até eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, totalizando 50 participantes.
Os grupos de direita, incluindo bolsonaristas e conservadores, veem a democracia como um ideal, mas expressam frustração em relação à realidade brasileira. Eles valorizam a liberdade de expressão e o direito ao voto, mas sentem que a democracia tem se desviado do que deveria ser. Um participante resumiu esse sentimento, afirmando que “democracia é praticamente o que não existe mais no Brasil”, ressaltando uma desconfiança em relação às instituições e à política, com a percepção de que interesses pessoais estão acima das necessidades coletivas.
Por outro lado, os grupos de eleitores progressistas e lulodescontentes consideram a democracia um valor importante, mas ainda incompleto. Eles destacam a importância de garantir direitos individuais e permitir uma participação ativa na vida pública. Para eles, democracia é ter voz e poder de decisão, mas ainda existe a preocupação de que nem todos têm igual peso nas decisões. A inclusão na vida democrática é vista como uma meta a ser alcançada, e a participação vai além das eleições, se estendendo ao cotidiano.
Os lulistas, em sua maioria, enxergam a democracia de forma mais formal e estruturada, valorizando a organização política baseada em regras claras e respeito às oposições. No entanto, também reconhecem que a democracia deve se traduzir em direitos sociais, como saúde e educação, que precisam ser concretizados. No final, independentemente da posição política, há um consenso de que a democracia deve ser mais do que apenas o direito de votar; todos buscam um sistema que cumpra suas promessas e que garanta direitos e inclusão para todos.