Nos últimos tempos, o modelo de segurança de El Salvador, conhecido como “modelo Bukele”, tem sido discutido no cenário político brasileiro como uma alternativa para enfrentar a violência. Durante sua visita ao Brasil para o Festival Piauí de Jornalismo, Carlos Dada, cofundador do jornal El Faro, expressou preocupação com a adesão de alguns candidatos à presidência a essa estratégia, que envolve o uso de forças de segurança para realizar detenções em massa, sem necessidade de ordens judiciais. Dada destacou que, sob esse modelo, a polícia pode prender qualquer um apenas por considerá-lo suspeito, o que levanta sérias questões sobre os direitos humanos.
O modelo Bukele, que já está em vigor há cinco anos em El Salvador, gerou um aumento significativo na população carcerária do país, que atualmente tem cerca de 1 em cada 50 cidadãos presos. Dada alertou que se o Brasil seguir esse caminho, poderia resultar em uma população carcerária de até 4 milhões de pessoas. Ele também mencionou que a superprisão Cecot, que representa o modelo Bukele, não reflete a realidade das prisões comuns, onde a tortura e a falta de direitos são práticas recorrentes.
Para quem deseja acompanhar as discussões sobre essa temática no Brasil, é possível acessar as sessões do Congresso Nacional e ficar de olho em canais de denúncia sobre abusos de direitos. Além disso, o público pode acompanhar a tramitação de projetos de lei relacionados à segurança pública e participar de audiências públicas que discutam o assunto. A pressão da sociedade e a fiscalização de órgãos competentes são essenciais para garantir que direitos fundamentais não sejam desrespeitados em nome da segurança.