Na última quarta-feira (5), o senador Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência, fez uma declaração sobre o papel das mulheres na família, afirmando que teve filhas com a expectativa de ser cuidado por elas na velhice. Essa fala reflete uma visão comum em várias culturas, onde a expectativa é que os filhos cuidem dos pais na terceira idade. Um estudo de economistas mostra que, em contextos de insegurança econômica, muitas decisões familiares, como o número de filhos, são influenciadas pela falta de alternativas.
Em comparação com o passado, a expansão da previdência rural no Brasil trouxe mudanças significativas. Essa medida aumentou a renda esperada na aposentadoria e reduziu a média de filhos por mulher em 1,3 ao longo da vida reprodutiva, de acordo com pesquisa de Alexander Danzer e Lennard Zyska. No entanto, mesmo com essas mudanças, a responsabilidade pelos cuidados ainda recai majoritariamente sobre as mulheres. Em 2013, 81,8% dos idosos brasileiros com limitações funcionais recebiam apenas apoio informal, e as mulheres ocupavam quase todos os postos de cuidado direto e doméstico, enquanto apenas 32,9% delas contribuíam para a Previdência.
A divisão de tarefas de cuidado é um padrão que se perpetua, mas pode ser alterado. Um relatório da Fundação Arymax e do Instituto Veredas sugere que as atividades de cuidado sejam reconhecidas como trabalho qualificado e compartilhado. Um experimento em escolas da Índia mostrou que discussões sobre igualdade de gênero levaram a mudanças nas atitudes dos alunos, mas as mudanças não foram uniformes entre meninos e meninas. Para que essa redistribuição ocorra de forma efetiva, é fundamental que haja serviços acessíveis e uma nova compreensão sobre como as famílias organizam o cuidado, especialmente antes que a dependência se torne uma realidade.