Um caso controverso da campanha eleitoral de 2022 ainda está sem solução na Justiça, menos de três meses antes das próximas eleições no país. Nos dias 23 e 24 de setembro daquele ano, véspera do primeiro turno, foram disparadas 325 mil mensagens de texto com conteúdo favorável ao então presidente Jair Bolsonaro, utilizando um número oficial do Governo do Paraná. As mensagens, que incluíam apelos à invasão do Congresso e do STF, geraram grande repercussão.
A estatal Celepar, responsável pela tecnologia da informação do governo paranaense, negou que tenha sido a autora dos disparos. A responsabilidade foi atribuída à Algar Telecom, uma empresa terceirizada de Minas Gerais, que já havia sido contratada em 2021 para gerenciar o envio de SMS. Apesar de admitir o erro, a Algar afirmou não ter conseguido identificar quem realmente disparou as mensagens. No final de 2022, a Algar foi incorporada pela Vogel Soluções em Telecomunicações, de São Paulo. A investigação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) concluiu que não houve invasão, mas que o incidente ocorreu através de credenciais válidas da empresa.
Atualmente, duas ações civis públicas estão em andamento na Justiça, ambas movidas pelo Ministério Público Federal e pelo Instituto Sigilo, buscando compensação por danos morais individuais e coletivos. A primeira foi protocolada em Minas Gerais, mas a Justiça Federal determinou que o caso tramitasse no Paraná, onde os eleitores receberam as mensagens. A expectativa é que o julgamento ocorra em 2026, com pedidos de indenização que variam de R$ 3 mil a R$ 15 mil por mensagem recebida.
Para mais informações sobre o caso, é possível acompanhar as sessões da Justiça Federal em Curitiba, onde os processos estão sendo analisados. Documentos e atualizações sobre o andamento das ações podem ser acessados nos sites oficiais dos órgãos envolvidos.