A Câmara dos Deputados foi apontada por ocultar a autoria de R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão, segundo um relatório da Transparência Brasil. Essa prática, que se assemelha ao que ficou conhecido como “orçamento secreto”, contraria decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O estudo analisou 16,6 mil indicações de emendas feitas no ano passado, totalizando R$ 11,7 bilhões em todo o Congresso. Desses, R$ 3,8 bilhões vieram do Senado e R$ 7,9 bilhões da Câmara, que não identificou os responsáveis pelas indicações, ao contrário do que faz a Casa Alta.
O relatório destaca que sete bancadas na Câmara, como PP, União Brasil e PL, operaram essas chamadas “emendas de liderança”, que somaram 16% do total. A Transparência Brasil afirma que essa falta de transparência ainda persiste e que os recursos estão concentrados em poucos estados, com deputados de uma mesma legenda se beneficiando mais. Em comparação com o período anterior à declaração de inconstitucionalidade do orçamento secreto, os pagamentos em emendas de comissão aumentaram 68 vezes desde então, com R$ 373,8 milhões já registrados em 2026.
Para quem está interessado em acompanhar esses processos, é possível acompanhar as sessões da Câmara pelo site oficial e acessar documentos relacionados às emendas. Além disso, canais de denúncia estão disponíveis para quem quiser relatar irregularidades. A transparência nas emendas é um tema em discussão, e a organização recomenda a suspensão dos pagamentos e a criação de um sistema que identifique claramente cada emenda e seu beneficiário final. Os próximos passos incluem a tramitação das propostas relacionadas e possíveis audiências públicas para debater o assunto.