A Prefeitura de Goiânia enviou um ofício ao ICB (Instituto Conhecer Brasil), ONG presidida por Karina Ferreira da Gama, questionando parte das notas fiscais apresentadas na prestação de contas de um contrato para instalação de pontos de wi-fi na cidade. Os valores em disputa somam R$ 13,4 milhões de um total de R$ 108 milhões do contrato firmado em 2024 com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
De acordo com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, a maior parte das notas (R$ 10,6 milhões) não detalha as áreas atendidas nem os serviços prestados. As notas fiscais foram emitidas por empresas como Favela Conectada Serviço e Tecnologia e Complexsys Soluções Integradas, que já foram alvo de uma operação policial em junho. As investigações estão apurando se houve desvio de recursos, incluindo a possibilidade de parte do valor ter sido utilizado para financiar o filme “Dark Horse”, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além dos R$ 13,4 milhões questionados, a secretaria também está analisando outros R$ 906 mil por cancelamento de notas fiscais. A Favela Conectada aparece novamente, com uma nota de R$ 500 mil que foi emitida e depois cancelada em um intervalo de poucos dias. A secretaria deu ao ICB um prazo de 30 dias para regularizar a situação. Durante esse período, a cobrança dos valores não é imediata, e a fiscalização ocorre semestralmente.
Para quem quiser acompanhar as sessões e atualizações sobre o caso, os documentos estão disponíveis no site da Prefeitura. Além disso, é possível fazer denúncias e obter mais informações através dos canais oficiais da administração municipal. As próximas etapas incluem a análise das justificativas apresentadas pelo ICB e a definição sobre eventuais glosas definitivas após o prazo estabelecido.