Na última sexta-feira (26), o programa Sem Censura, da TV Brasil, recebeu três mulheres que fizeram história no futebol feminino brasileiro, um esporte que foi proibido durante décadas, a partir dos anos 1940, por um decreto do então presidente Getúlio Vargas. O futebol feminino só ganhou reconhecimento oficial em 1980. O Esporte Clube Radar, fundado em 1932 em Copacabana, no Rio de Janeiro, foi um dos primeiros a apoiar a modalidade e serviu como base para a seleção brasileira feminina nos anos 80. Entre as convidadas estavam Marilza Martins, conhecida como Pelezinha, Marisa Pires, a primeira capitã da seleção, e Márcia Matos, a Russa, que conquistou títulos importantes nas competições sul-americanas.
As ex-atletas compartilharam suas experiências e desafios enfrentados ao longo da carreira. Pelezinha, por exemplo, relembrou a emoção de receber a camisa da Seleção Brasileira para representar o país na China em 1988. Ela destacou que, na época, o sonho de jogar um Mundial parecia distante, mas se tornou realidade. Marisa Pires, a Caju, também comentou sobre a presença do público nos estádios, afirmando que desde o primeiro Campeonato Sul-Americano, em 1995, os jogos sempre atraíram muitas pessoas, desmistificando a ideia de que o futebol feminino não tinha público.
Um assunto que gerou emoção durante a conversa foi a recente lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que garante R$ 500 mil para as jogadoras que representaram o Brasil entre 1988 e 1991. Caju mencionou que essa conquista demorou 38 anos para acontecer, mas veio na hora certa, trazendo esperança e reconhecimento para as pioneiras. Márcia, a Russa, agradeceu a Marileia dos Santos, que lutou incansavelmente pela causa. Essas conquistas destacam a importância da persistência e do amor pelo esporte, que ajudaram a moldar o futebol feminino no Brasil como conhecemos hoje.