Recentemente, o Senado se viu em meio a uma polêmica sobre a devolução de diárias não utilizadas por parlamentares. Essa questão ganhou destaque após a Polícia Federal encontrar US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil) na casa do senador Jaques Wagner (PT-BA). Ele esclareceu que esse dinheiro é proveniente de diárias de viagens oficiais, já que não existe uma norma clara que obrigue a devolução de valores não gastos, exceto em casos de cancelamento ou retorno antecipado de viagens.
De acordo com informações do Senado, as diárias são destinadas a cobrir despesas de deslocamento fora de Brasília e incluem custos com hospedagem, alimentação e transporte. Como não há regra para devolução, os parlamentares podem ficar com o que sobrar. Em 2026, o valor da diária para senadores em missões internacionais fora da América do Sul será de US$ 656,46, ou R$ 3.388, enquanto para viagens a países da América do Sul, o valor será de US$ 557,03, equivalente a R$ 2.875. As diárias são ajustadas anualmente e, neste ano, o Senado gastou mais de R$ 1 milhão em diárias apenas para viagens internacionais.
Além de Jaques Wagner, outros servidores também recebem diárias, com valores variando conforme o cargo. O senador, que já fez 30 viagens oficiais ao exterior em seu mandato, teve uma viagem à China em maio deste ano, na qual recebeu R$ 15 mil por nove meias diárias. A Polícia Federal investiga ainda possíveis pagamentos relacionados a um banco e a um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões. Para acompanhar as atividades do Senado, os interessados podem acessar o portal da transparência e acompanhar as sessões e documentos relacionados. A tramitação desse caso e as próximas ações da PF continuam em andamento, e o Senado deverá se manifestar sobre a situação.