Apesar das preocupações de autoridades em todo o Brasil sobre a infiltração do crime organizado na política, muitos partidos ainda não tomaram medidas concretas para evitar que integrantes de facções criminosas se candidatem nas próximas eleições. Até 4 de abril, os partidos tiveram a chance de filiar pessoas que pretendem concorrer, e entre 20 de julho e 5 de agosto, devem realizar convenções para definir suas chapas, que precisam ser registradas até 15 de agosto. Um levantamento da Folha mostrou que apenas o MDB adotou uma norma específica para barrar a filiação de pessoas ligadas a organizações criminosas, enquanto os outros partidos não implementaram triagens antes da filiação, permitindo que indivíduos com antecedentes questionáveis já tenham acesso à estrutura partidária.
Na prática, apenas o MDB estipulou que não aceita filiações de pessoas ligadas a facções, enquanto partidos como PT e Republicanos só podem expulsar filiados após condenações. O PL, por sua vez, não estabelece critérios claros para impugnações. A situação é preocupante, já que a Abin já alertou sobre a crescente relação entre crime e política, citando o Rio de Janeiro como um caso exemplar de infiltração de facções. Há registros de políticos com ligações diretas com o crime, como o caso do ex-deputado TH Joias, que tinha condenações e foi financiado pelo MDB.
Para quem está de olho nas movimentações políticas, é possível acompanhar as sessões e denúncias através dos canais oficiais de cada partido e do TSE, onde também estão disponíveis documentos sobre filiações e candidaturas. Quanto aos próximos passos, os partidos devem seguir com suas convenções e registrar as chapas até meados de agosto, enquanto as investigações sobre ligações com o crime organizado continuam em andamento. O cenário exige atenção, já que a falta de medidas rigorosas pode impactar diretamente a integridade das eleições.