Na quarta-feira, 6 de setembro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu condenar o ex-governador do Acre, Gladson Cameli, a 25 anos e 9 meses de prisão. Ele foi considerado culpado por crimes como organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações, todos relacionados a um esquema envolvendo contratos públicos. Além disso, a corte determinou que Cameli deve pagar uma multa e indenização ao estado do Acre no total de R$ 11,7 milhões. Embora ele já tenha renunciado ao cargo em abril para concorrer ao Senado, a decisão também resultou na perda do cargo.
O caso foi relatado pela ministra Nancy Andrighi, que destacou que Cameli liderava um esquema visando seu enriquecimento, contando com a participação de seu irmão e outros servidores de alto escalão. Segundo a relatora, foram identificadas movimentações financeiras que indicam que a verba desviada beneficiou Cameli e sua família. A Procuradoria-Geral da República (PGR) havia acusado o ex-governador de receber mais de R$ 6 milhões em propina. A defesa de Cameli, no entanto, negou as irregularidades durante todo o processo no STJ.
As investigações apontaram que a empresa Murano Construções foi contratada de forma fraudulenta, recebendo R$ 18 milhões por obras que apresentaram irregularidades como superfaturamento e pagamentos por serviços não prestados. A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou diversas fraudes nas medições e documentos assinados por servidores que faziam parte do esquema. A expectativa é que os prejuízos aos cofres públicos cheguem a quase R$ 150 milhões, com indícios de fraudes em pelo menos oito contratos.
Para aqueles que desejam acompanhar a tramitação desse caso, as sessões do STJ estão disponíveis em seu site oficial, e a população pode denunciar irregularidades através dos canais competentes. O próximo passo envolve a análise de possíveis recursos que Cameli poderá apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF).