Nos últimos meses, as redes sociais têm sido palco de uma intensa troca de conteúdos políticos gerados por inteligência artificial (IA). Esses materiais incluem vídeos e imagens que satirizam candidatos e partidos, gerando discussões sobre a legalidade e a ética na produção e divulgação de informações. Um levantamento do Observatório IA nas Eleições mapeou 137 conteúdos políticos feitos com IA entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, revelando que apenas 27% deles indicavam o uso da tecnologia de forma clara.
No início de março, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu novas regras para o uso de IA nas campanhas, proibindo a criação de conteúdos eleitorais 72 horas antes e 24 horas após cada turno de votação. Além disso, as propagandas devem informar quando utilizam conteúdos sintéticos e qual tecnologia foi empregada. A corte também decidiu banir perfis falsos e automatizados que possam comprometer a integridade do processo eleitoral. Apesar dessas medidas, a Justiça Eleitoral enfrenta dificuldades para diferenciar sátira, memes e desinformação, levando a disputas judiciais sobre a legalidade de diversos conteúdos.
Entre os casos mais emblemáticos, o Partido dos Trabalhadores (PT) entrou com ações no TSE contra vídeos que distorcem a imagem do presidente Lula, enquanto conteúdos gerados por apoiadores de outros candidatos também têm circulado amplamente. Um exemplo é a série “Os Intocáveis”, de Romeu Zema, que apresenta avatares de ministros do STF em situações controversas.
Para acompanhar as sessões e decisões do TSE, o público pode acessar o site oficial do tribunal, que disponibiliza documentos e informações sobre a tramitação de ações. Com a eleição se aproximando, a expectativa é que a produção de conteúdos sintéticos aumente, e a Justiça continue a trabalhar na identificação e remoção de conteúdos que possam prejudicar a transparência do processo eleitoral.