Recentemente, a Amazônia tem visto um aumento no uso de máquinas adquiridas por emendas parlamentares para abrir estradas na floresta. A Folha de S.Paulo realizou uma reportagem em várias cidades da região para investigar como os recursos da União estão sendo utilizados pelas prefeituras. O resultado foi o surgimento de diversas obras ilegais que não seguem as normas de licenciamento ambiental e, consequentemente, contribuem para a degradação do meio ambiente.
Um exemplo destacado na reportagem é a pavimentação de uma rodovia estadual no interior do Amazonas, viabilizada por emendas do senador Omar Aziz, do PSD. A produção também conversou com políticos e pesquisadores que analisam como essa estratégia de desenvolvimento, centrada na construção de estradas, tem impulsionado o desmatamento na Amazônia. Um estudo da Universidade Federal do Acre (UFAC) revelou que, nos últimos dez anos, houve um aumento significativo no número de estradas que atravessam unidades de conservação, com mais de 50% dessas construções ocorrendo entre 2019 e 2025, período em que os repasses federais aos congressistas aumentaram.
Além disso, o vídeo-reportagem ressaltou a falta de recursos para os órgãos ambientais responsáveis pela fiscalização dessas obras. Desde 2015, quando o orçamento controlado pelo Congresso começou a crescer, cerca de R$ 300 bilhões foram alocados por meio de emendas parlamentares, mas menos de 0,2% desse montante foi destinado ao Meio Ambiente. Especialistas afirmam que essa falta de recursos, aliada à fragmentação dos investimentos, favoreceu a realização de obras mal planejadas que desrespeitam as normas ambientais.
Os próximos passos incluem a necessidade de maior fiscalização e coordenação dos recursos destinados a essas obras, bem como a realização de audiências públicas para discutir o impacto ambiental e social dessas intervenções nas regiões amazônicas. Para acompanhar as questões relacionadas ao meio ambiente e obras, os cidadãos podem acessar os canais de denúncia e os documentos disponíveis nos sites dos órgãos competentes.