Na última semana, a Folha revelou que empresas ligadas ao deputado Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo de Goiás, realizaram a compra de precatórios, que são ordens judiciais para pagamento de indenizações. Essas compras estão relacionadas a uma mulher de 75 anos que recebeu uma indenização por torturas sofridas durante a ditadura militar e a um ex-agente da Polícia Civil demitido por corrupção. A Saur Construção, da qual Douglas possui 90%, e a Mical Invest, de sua esposa, Mariana Barbosa, foram as responsáveis pelas transações.
O precatório da mulher, que foi presa e torturada várias vezes entre 1964 e 1972, tem um valor de R$ 917 mil, mas as escrituras não informam quanto realmente foi pago. Segundo Douglas, as decisões sobre investimentos da Saur são tomadas pelo sócio-administrador e as aquisições foram feitas por meio de um escritório de investimentos. Em relação ao ex-agente da Polícia Civil, ele foi demitido em 2018 após investigações que o ligaram a práticas de corrupção, mas conseguiu receber dois precatórios, um de R$ 339 mil e outro de R$ 429 mil, mesmo com a Procuradoria Geral do Estado tentando bloquear os pagamentos.
Para quem deseja acompanhar a situação, as sessões da Assembleia Legislativa de Goiás podem ser acessadas online, e é possível denunciar irregularidades pelos canais oficiais do governo. Os próximos passos incluem a tramitação dos precatórios adquiridos e possíveis audiências públicas sobre a legalidade e a moralidade dessas transações. A situação levanta questões sobre o uso de indenizações na era democrática e o impacto dessas compras em um contexto político conturbado.