O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou mudanças polêmicas na política de testes de gênero para os Jogos de Los Angeles 2028. A partir de agora, mulheres transgênero não poderão competir em categorias femininas, pois a participação estará restrita a pessoas de sexo biológico feminino que não possuam o gene SRY. Essa decisão foi comunicada após uma reunião da comissão executiva do COI, que decidiu utilizar um teste específico para identificar a presença desse gene no cromossomo Y.
O teste será realizado a partir de amostras de saliva, swab bucal ou sangue, e visa determinar o sexo biológico do atleta. A presidente do COI, Kirsty Coventry, defendeu que a nova política é baseada em informações científicas e elaborada por especialistas. No entanto, Andrew Sinclair, o cientista que descobriu o gene SRY, criticou a medida, afirmando que ela é “excessivamente simplista”. Segundo ele, o gene SRY não é um indicador exclusivo do sexo masculino, já que a definição de gênero envolve uma série de fatores genéticos e hormonais.
Além disso, o cientista Vincent Harley, também especialista em cromossomos, ressaltou que a presença do gene SRY não define o sexo em todos os casos e que não há evidências conclusivas de que ele ofereça vantagens físicas no esporte. Por outro lado, Peter Koopman, outro especialista, considera a decisão do COI razoável e um bom ponto de partida, ressaltando que a implementação do teste é simples e não invasiva.
A discussão sobre os testes de gênero não é nova: eles foram introduzidos pela primeira vez nos Jogos Olímpicos em 1968 e utilizados até 1996, quando foram abolidos. Com as novas regras, debates sobre inclusão e equidade nas competições devem continuar, especialmente à medida que nos aproximamos das Olimpíadas de 2028.