Nesta sexta-feira, 16, o Conselho Deliberativo do São Paulo se reúne a partir das 18h30 para decidir sobre o impeachment do presidente Julio Casares. A votação será híbrida, com participação no Salão Nobre do Morumbi e online, graças a uma decisão judicial que permite esse formato. Segundo a juíza Luciane Cristina Silva Tavares, não havia motivo para limitar a votação ao presencial, já que o estatuto do clube permite reuniões semipresenciais. A oposição ao presidente considera isso uma vitória política, especialmente diante da recente perda de apoio que Casares sofreu.
No total, 254 conselheiros podem votar, e para que o impeachment aconteça, são necessários dois terços dos votos, ou seja, 171. Além disso, é preciso um quórum mínimo de 75%, que equivale a 191 votos. A oposição, que já se mostrava cética quanto à possibilidade de reunir esse número, ganhou confiança ao notar que quatro dos seis grupos que apoiavam Casares abandonaram a coalizão. Estima-se que esses grupos, somados aos votos da oposição, consigam pelo menos 182 votos a favor do impeachment. Harry Massis Junior, vice-presidente do clube e um dos que votarão a favor do afastamento, tem um longo histórico dentro do São Paulo.
Caso o impeachment seja aprovado, Casares será afastado imediatamente, mas uma assembleia geral de sócios deverá ser convocada em até 30 dias para validar ou rejeitar a decisão. Essa aprovação dependerá da maioria simples entre os cerca de 50 mil sócios do clube. O clima em torno de Casares se complica ainda mais com investigações da Polícia Civil sobre movimentações financeiras suspeitas, totalizando R$ 12,5 milhões. Seus advogados alegam que as transações têm origem lícita e serão esclarecidas. A situação política do presidente se torna ainda mais delicada após o surgimento de áudios relacionados a um suposto esquema de venda clandestina de ingressos, o que já havia desgastado sua imagem no passado.