A situação do esporte feminino no Afeganistão tem gerado discussões importantes, especialmente sobre os direitos das mulheres. Samira Asghari, ex-jogadora de basquete e membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), destacou que, para que o regime talibã busque reconhecimento internacional, é essencial que respeite os direitos humanos, incluindo o direito das mulheres à educação e ao esporte. Em entrevista à AFP, Asghari, que vive exilada, afirmou que o diálogo com as autoridades é fundamental, mesmo com os desafios que isso envolve.
Atualmente, o talibã proíbe as mulheres de frequentarem a escola após os 12 anos e de praticarem esportes. Asghari, que se tornou a primeira afegã a integrar o COI em 2018, acredita que é preciso encontrar formas de facilitar conversas entre o COI e os governantes do Afeganistão, focando na defesa dos direitos esportivos das meninas. Ela reconhece que as negociações são complexas, mas essenciais para abrir caminhos para futuras gerações.
Recentemente, uma equipe de jogadoras de futebol afegãs refugiadas na Europa e na Austrália competiu em um torneio da FIFA no Marrocos. Segundo Asghari, esse é apenas o começo para apoiar as atletas que estão fora do país. Ela espera que a FIFA se envolva nas discussões em andamento entre o COI e os talibãs, buscando um futuro melhor para as atletas afegãs.
Enquanto isso, Asghari menciona a importância de aproveitar qualquer oportunidade que o regime possa oferecer, como desenvolver o esporte nas escolas de ensino fundamental. “Não se trata de aceitar as restrições, mas de não abandonar as meninas”, conclui. O futuro do esporte feminino no Afeganistão depende de ações concretas que garantam oportunidades para essa jovem geração.