Na última terça-feira (2), um encontro entre senadores do PL e Jorge Messias, indicado por Lula para o STF, foi cancelado. O almoço estava programado para o bloco parlamentar Vanguarda, que reúne 15 senadores do PL e o senador Eduardo Girão (Novo-CE). A decisão de não realizar a reunião se baseou no entendimento de que a presença de Messias poderia causar desgaste entre os aliados de Bolsonaro. Messias foi indicado para a vaga no Supremo em 20 de novembro e precisa do apoio de 41 dos 81 senadores para ser aprovado.
Davi Alcolumbre, presidente do Senado e contrário à indicação de Messias, já sinalizou que há cerca de 60 votos contra ele. Apesar disso, alguns governistas acreditam que a situação não é tão complicada. A senadora Dra. Eudócia (PL-AL), que convidou Messias, é mãe do prefeito de Maceió, JHC, que tem se aproximado de Lula. Sem a possibilidade de reunir os senadores do PL, Messias agora terá que buscar apoio individualmente, e o tempo está correndo: a votação está marcada para o dia 10 de dezembro.
A leitura do relatório sobre a indicação de Messias será feita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na quarta-feira (3) pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA), que deve recomendar um voto favorável. Após essa etapa, uma sabatina será realizada na qual Messias responderá a perguntas dos senadores. O apoio de grupos religiosos, que representam uma parcela significativa da população, pode influenciar a votação, uma vez que eles tendem a desaprovar a gestão atual. A relação entre Lula e o Senado ficou tensa com essa indicação, e aliados do presidente tentam restabelecer o diálogo com Alcolumbre.