O ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidiu retomar os julgamentos de pessoas acusadas de envolvimento nos ataques de 8 de janeiro, logo após a saída de Luiz Fux da Primeira Turma da corte. Desde o fim de outubro, Fux pediu vista em todos os casos relacionados ao golpe, o que significa que ele precisa de mais tempo para analisar as situações. Essa troca de posições entre os dois ministros mostra que, mesmo com a nova configuração das turmas do Supremo, os casos sobre a invasão das sedes dos Poderes continuam gerando debates.
Antes da mudança, Moraes não pautava nenhum julgamento sobre os eventos de 8 de janeiro desde o início do segundo semestre. Ele parou de enviar os casos para análise após Fux mudar sua postura em relação ao tema. Durante mais de um ano, Fux havia votado pela condenação de mais de 100 pessoas envolvidas nas invasões e acampamentos em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília. Recentemente, ele pediu vista em um caso específico, o da cabeleireira Débora Rodrigues, que pichou uma estátua durante os ataques. A decisão de Fux de revisar sua posição o colocou em desacordo com Moraes na Primeira Turma.
Com a saída de Fux da Primeira Turma em 22 de outubro, Moraes anunciou a retomada das análises das ações relacionadas ao golpe. Já são 45 julgamentos pautados, e Moraes votou pela condenação de todos os réus. Além disso, ele liberou recursos de 21 condenados para julgamento em plenários virtuais. No entanto, o pedido de vista de Fux foi controverso entre alguns ministros, especialmente porque ocorreu após um resultado parcial já ter sido fixado. Fux defende que suas ações são normais e que ele busca atuar com cuidado nas análises.
Para quem deseja acompanhar as sessões do Supremo, é possível acessar o site oficial do tribunal, onde estão disponíveis documentos e informações sobre os julgamentos. A próxima etapa envolverá a tramitação dos casos e a definição de novas pautas para audiências públicas. A Primeira Turma, agora com um ministro a menos, aguarda a nomeação de um novo integrante, que pode ser Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula, mas isso ainda precisa ser aprovado no Senado.