Nesta quinta-feira (27), a CPI que investiga os descontos irregulares em benefícios do INSS não votou os requerimentos que convocavam o advogado-geral da União, Jorge Messias, para depor. A decisão é sensível para o governo, já que Messias foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma vaga no STF. O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que esses requerimentos serão votados na próxima semana. A convocação de Messias busca esclarecer a atuação da AGU na recuperação de valores desviados e os alertas feitos por procuradores sobre os processos relacionados aos descontos em aposentadorias.
Os depoimentos em CPIs costumam ser momentos complicados politicamente, uma vez que adversários têm a chance de fazer acusações, gravar os discursos e compartilhar nas redes sociais. Além disso, tentativas de provocar reações do depoente são comuns. Apesar de o governo ter conseguido formar uma maioria na CPI e vencer votações delicadas, a relação entre o Executivo e os parlamentares se deteriorou nas últimas semanas. Se a convocação de Messias for aprovada, o presidente da CPI definirá a data do depoimento.
Messias também tem um compromisso importante no Senado, onde ocorrerá sua sabatina e votação para o STF no dia 10 de dezembro. O tempo é curto para que ele mude a resistência que alguns senadores, como o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), demonstram em relação à sua indicação. Alcolumbre já expressou publicamente que preferia Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga. Em busca de apoio, Messias tem conversado com senadores, tentando esclarecer que não deve ser penalizado pelo desentendimento entre Alcolumbre e o governo. Para ser aprovado, ele precisará do voto favorável de 41 dos 81 senadores, além de passar pela CCJ antes da votação final.
Para acompanhar a CPI e outras questões políticas em Goiás, é possível acessar os canais oficiais do Senado e da Câmara, onde são disponibilizados documentos e informações sobre as sessões.