Na última segunda-feira (8), o ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, depôs na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e revelou que o governo federal já estava ciente de possíveis irregularidades nas aposentadorias desde 2023. Durante sua fala, Lupi destacou que as denúncias chegaram ao Ministério por meio da ouvidoria e da plataforma Meu INSS, mas ele não tinha ideia da gravidade das fraudes até que a Polícia Federal começou investigações mais profundas. Ele lembrou que houve tentativas anteriores de apurar fraudes, mas essas investigações foram arquivadas.
Lupi, que ocupou o cargo entre 2023 e 2025 e pediu demissão em maio deste ano após a operação que expôs os descontos não autorizados em benefícios, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva só tomou conhecimento das irregularidades no dia em que a operação foi deflagrada. Ele admitiu que a norma criada pelo INSS em 2024 para regular os descontos das mensalidades associativas não teve o impacto esperado, reconhecendo que o órgão falhou em agir de forma mais rigorosa para evitar essas fraudes.
Na CPMI, Lupi também sugeriu uma revisão nos descontos de créditos consignados nos benefícios de aposentados e pensionistas, questionando a lógica de manter esses descontos após a eliminação dos descontos associativos. Durante a reunião, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) pediu a suspensão do senador Rogério Marinho (PL-RN), mas a solicitação foi negada pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), que afirmou que Marinho não é alvo da investigação.
Para acompanhar as discussões e investigações da CPMI, os interessados podem acessar documentos oficiais e informações em canais de comunicação disponíveis ao público. A comissão já aprovou convites para todos os ex-ministros da Previdência desde 2015 e para pessoas envolvidas nas investigações, com o objetivo de esclarecer os desvios que, segundo estimativas, totalizam cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.