As principais centrais sindicais do Brasil estão mobilizando esforços para que os senadores votem antecipadamente a proposta de emenda à Constituição (PEC) que pretende acabar com a escala de seis dias de trabalho seguidos por um dia de descanso e reduzir a jornada semanal para 40 horas. O movimento, que começou neste fim de semana, busca que a PEC 221 de 2019 seja votada antes do primeiro turno das eleições de 2026. Segundo Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), há uma pressão de empresários e senadores para que a votação ocorra somente após as eleições, o que ele considera uma traição aos trabalhadores.
Em uma reunião recente do Fórum das Centrais Sindicais, as entidades discutiram estratégias para intensificar a mobilização em favor da PEC. As centrais planejam aumentar a distribuição de panfletos em áreas comerciais, onde a escala 6×1 é comum, e promover protestos nas ruas. Eles também pretendem solicitar uma audiência com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir a votação da PEC antes do primeiro turno e denunciar senadores que são contra a redução da jornada de trabalho. Miguel Torres, da Força Sindical, expressou preocupação com o adiamento da votação, ressaltando que a maioria da população é a favor da PEC.
A expectativa inicial era de que a PEC fosse votada logo após a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No entanto, o adiamento gerou críticas entre os sindicatos, que veem isso como uma manobra para atender interesses que não refletem as necessidades da população. O diretor da Central dos Sindicatos Brasileiros, Paulo de Oliveira, e o presidente da União Geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah, destacaram que a redução da jornada é uma demanda histórica dos trabalhadores.
Para quem deseja acompanhar a tramitação da PEC, é possível acessar documentos oficiais e acompanhar as sessões no site do Senado. As centrais sindicais também incentivam a população a participar da discussão, reforçando a importância da pressão popular para que a votação aconteça antes das eleições.