A Vara Estadual das Garantias questionou a Polícia Civil de São Paulo sobre um pedido de acesso a dados financeiros sigilosos da empresária Karina Ferreira da Gama, que é dona da produtora do filme “Dark Horse”. A investigação gira em torno de possíveis desvios de recursos da Prefeitura de São Paulo. A Justiça pediu informações sobre quais documentos e indícios de irregularidade foram reunidos pela polícia, além de buscar esclarecimentos sobre o acesso a relatórios de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) relacionados à Karina e sua produtora.
Na semana passada, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, autorizou o compartilhamento de provas do inquérito da Polícia Civil com a Polícia Federal, que também investiga a produtora, mas por conta de emendas parlamentares. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que solicitou recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme, ainda não apresentou a prestação de contas do longa, que teve um contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura. O delegado Antonio Carlos Manuera Silveira mencionou “suspeitas de confusão patrimonial” entre as contas do Instituto Conhecer Brasil e da Go Up Entertainment, a produtora de Karina.
O despacho da Vara de Garantias, publicado no Diário de Justiça Eletrônico, destacou que serviços prestados de fornecimento de wi-fi totalizaram cerca de R$ 43 milhões, mas o valor transferido ao instituto foi de R$ 69 milhões, indicando uma diferença de R$ 26 milhões. A Justiça também determinou que a Polícia Civil apresentasse mais informações antes de autorizar o acesso aos dados financeiros, justificando o período de pesquisa e os elementos que sustentam as acusações contra Karina.
Os interessados em acompanhar as investigações podem acessar o site do Diário de Justiça Eletrônico e utilizar canais de denúncia disponíveis na ouvidoria da Polícia Civil. A tramitação do caso deve continuar, com a polícia podendo estender o prazo da investigação por mais 90 dias, conforme solicitado.