Na última segunda-feira (17), o fotógrafo Ricardo Stuckert acompanhou o presidente Lula em um evento oficial no Amapá, mesmo após ter sido exonerado da equipe presidencial em julho. Ele foi chamado para o compromisso como fotojornalista e suas imagens foram postadas nas redes sociais do presidente, que também são utilizadas em atividades de campanha. A equipe de Lula informou que a viagem não gerou custos para o poder público e que Stuckert participou a convite, sem receber diárias ou qualquer outro pagamento do governo.
Durante o evento, Stuckert teve acesso a um navio-sonda da Petrobras, área restrita a autoridades. As fotos dele foram usadas no site da estatal para acompanhar a divulgação sobre a descoberta de indícios de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, além de reforçar a relação de Lula com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Três advogados eleitorais afirmaram que a situação é complicada, já que as funções de chefe de governo e candidato muitas vezes se sobrepõem, mas o uso da máquina pública para campanha é proibido.
A Folha de S.Paulo tentou obter informações sobre a cobertura do evento e foi informada de que o acesso ao navio seria restrito. Especialistas apontam que, se Stuckert foi transportado em avião oficial, isso pode levantar questões sobre a legalidade do uso de recursos públicos para fins de campanha. Eles sugerem que seria correto ressarcir o governo pelos custos da viagem. Consequências para o presidente podem incluir advertências ou multas, dependendo da frequência de situações semelhantes. Stuckert, que tem uma longa trajetória como fotógrafo e é próximo de Lula há 23 anos, agora coordena o setor audiovisual da campanha petista.