Recentemente, o Rio de Janeiro passou por um momento importante com a definição de um governador interino pelo STF. Essa mudança ocorre em um cenário onde o estado busca encerrar um ciclo de intervenções e apoio do governo federal nas áreas econômica, de segurança e política. Nos últimos dez anos, o Rio celebrou dois acordos para renegociar sua dívida, recebeu ajuda financeira antes das Olimpíadas e teve a presença das Forças Armadas em três ocasiões, uma delas com intervenção federal na segurança pública. Essa situação é relevante não apenas para o estado, mas também para o Brasil, já que o Rio é o segundo maior PIB estadual e tem uma região metropolitana populosa.
A crise no estado tem raízes profundas, sendo que especialistas apontam para a falta de compensações financeiras após a transferência da capital para Brasília na década de 1960. Desde então, o Rio se sentiu abandonado, e a política local se desestruturou, especialmente após a cassação de líderes durante a ditadura militar. O economista Mauro Osório destaca que essa desestruturação levou a uma dependência econômica da indústria do petróleo, que atualmente compõe uma parte significativa do orçamento estadual. Em 2022, os royalties do petróleo representaram 24% do orçamento, um aumento em relação aos 7,15% de 2002.
Para quem acompanha a situação, é possível acompanhar as sessões da Alerj e acessar documentos através do site oficial do órgão. Além disso, canais de denúncia estão disponíveis para reportar irregularidades. O próximo passo envolve a continuidade do julgamento no STF sobre a redistribuição dos royalties do petróleo, que pode impactar significativamente o orçamento do estado. Enquanto isso, o governador interino, desembargador Ricardo Couto, realiza auditorias em contratos e demite funcionários suspeitos. Essa fase é vista por alguns como uma oportunidade para mudar a política fluminense, que enfrenta desafios estruturais há décadas.