O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, está propondo um novo modelo de registro para pesquisas eleitorais. A ideia é que os institutos preencham um formulário que detalha, entre outros pontos, o perfil dos eleitores a serem entrevistados e os bairros onde as pesquisas serão realizadas. Essa mudança gera preocupação, pois especialistas acreditam que pode haver manipulação e interferência nos resultados. Essa proposta aparece após a censura de uma pesquisa da Atlas/Bloomberg, que apontou uma queda nas intenções de voto de um senador.
Kassio defende que o processo atual é genérico e que uma sistematização das informações tornaria o processo mais transparente. Segundo ele, a população e os partidos políticos teriam mais acesso aos dados das pesquisas, o que poderia facilitar questionamentos na Justiça. A nova plataforma no site do TSE teria um layout que destacaria as principais informações de cada pesquisa, para que candidatos e eleitores pudessem consultar facilmente.
A proposta também envolve questionamentos sobre a participação de robôs nas entrevistas e a exibição de conteúdos relacionados a candidatos. A diretora do Datafolha, Luciana Chong, critica a ideia de exigir que os institutos informem previamente os bairros das pesquisas, afirmando que isso poderia inviabilizar a integridade das entrevistas. O coordenador da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, João Francisco Meira, complementa que essa divulgação antecipada pode deixar os entrevistadores vulneráveis a pressões externas.
Os próximos passos incluem a análise das sugestões sobre a minuta apresentada por Kassio, que ainda está sendo discutida com os institutos. Além disso, a proposta de um selo de acurácia para pesquisas que se aproximarem dos resultados das eleições está em avaliação, com a possibilidade de ser restrita a levantamentos feitos até 48 horas antes do pleito.